Aprender a transformar o cacau em suco, geleia, mousse, licor, xarope e chocolate foi o que os 21 alunos da Oficina de Subprodutos do Cacau aprenderam com técnicos da Comissão do Plano da Lavoura Cacaueira do Pará (Ceplac/PA). A oficina é uma das novidades deste ano da Flor Pará/Frutal Amazônia 2009, que traz inovações nos parques tecnológicos, um dos espaços que mais atraem a atenção do público durante o encontro, que ocupa o Hangar - Centro de Feiras e Exposições da Amazônia até domingo (28).
Os parques proporcionam aos agricultores familiares, estudantes e público em geral o conhecimento de novas técnicas utilizadas no processo de industrialização de vários produtos. Com alternativas simples, os agricultores aprendem a agregar valor e qualidade à industrialização de seus produtos. Os visitantes da feira acompanham todas as etapas do processamento dos produtos, cedidos para degustação pública.
Na Casa da Farinha é possível acompanhar o processo de transformação da mandioca. Em outro estande, a borracha resulta no látex, que se transforma em bolsas, enfeites e outros artigos. Outra área do parque mostra que das sementes (como o cupuaçu e a castanha do pará) são extraídas oleaginosas que viram cosméticos naturais: sabonetes e cremes, entre outros.
Degustação e aprovação - Já na oficina de cacau os participantes também aprenderam mais sobre o cupulate e o doce feito com a polpa do cupuaçu. Similar ao chocolate na aparência e no sabor, o cupulate é uma tecnologia desenvolvida por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa/Amazônia Oriental). O produto agradou os visitantes. "É uma delícia, está aprovadíssimo", disse a aposentada Maria de Fátima Silva, após experimentar o doce de cupulate com amendoim.
Roberta Wariss, estudante de Engenharia de Alimentos, ajudou a preparar o doce, em sua primeira participação na Frutal. Segundo ela, é importante a oportunidade de tomar contato com a prática, por ser mais "perceptiva". Janilson do Socorro, instrutor da Oficina dos Subprodutos do Cacau e agente de atividade agropecuária da Ceplac, explicou que os próprios participantes pediram para preparar e provar o cupulate, ainda desconhecido de muitos.
Ele ensinou aos alunos que mais de 50 subprodutos podem ser extraídos do cacau - cerca de 10 só da casca, e uns 15 do mel. Os participantes também aprenderam como cultivar cacau de qualidade e que a casca do fruto pode servir de ração animal. De fácil cultivo, o cacau se desenvolve na sombra de árvores, como a bananeira e o açaizeiro.
Cacau orgânico - Com cerca de 50 mil toneladas por ano, o Pará é o segundo colocado na produção nacional de cacau, ficando atrás apenas da Bahia. No início deste ano, o Estado exportou a primeira remessa de cacau orgânico para a Europa. A indústria Zooter, da Áustria, comprou 48 toneladas de amêndoas para produção de chocolates finos, comercializados no mercado europeu.
Empresários italianos da Drogheria Alimentari estiveram recentemente no Pará, interessados na compra de cacau orgânico. Atraídos pela alta qualidade do produto, eles vieram conhecer o potencial da cultura com o objetivo de ampliar a produção de chocolates na Itália. O grupo visitou Medicilândia, Tomé-Açu e Cametá, municípios que se destacam na produção cacaueira. Uma mostra do cacau paraense já foi enviada para teste na fábrica italiana.
O cacau orgânico cultivado no Pará possui o selo do Instituto de Mercado Orgânico (IMO), reconhecido internacionalmente como símbolo de qualidade, e garante a exportação para outros países
Cupulate - A comercialização do cupulate ainda encontra entraves, pois não há plantações de cupuaçu de porte comercial no Estado, suficiente para atender a uma grande demanda. Como para preparar o pó do cupulate é necessário fermentar a semente, utilizando a polpa e o caroço (amêndoa), a produção em quantidade torna-se inviável por inutilizar a polpa do fruto, muito valorizada no mercado local.
O cupulate, entretanto, assim como o cacau da região, tem atraído a atenção de investidores internacionais. Por isso, a organização da Frutal 2009 preparou pela primeira vez um seminário setorizado sobre o cacau, assim como palestras técnicas sobre "Cupulate: Aspectos Tecnológicos e Mercado, e Possibilidades da Cacaicultura da Amazônia no Mercado Internacional".
Jailson do Socorro contou que, durante a feira, conversou com investidores estrangeiros interessados no cupulate e no chocolate. A preferência destes compradores é o produto orgânico e sem açúcar. O instrutor lembra que outro problema da comercialização do cupulate é que não há tecnologia apropriada para tirar a casca (ou testa) e separá-la da semente. "É um processo bem artesanal", informa.
+ Página inicial
Fonte: Agência Pará
Serão excluídos comentários que desrespeitem a lei, apresentem linguagem ou material obsceno ou ofensivo, sejam de origem duvidosa ou tenham finalidade comercial.